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A nova política de preços da Petrobras impactou o resultado da companhia?

Lucro da estatal caiu quase 50% no segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2022.

Por CombusPro

O real impacto da mudança da política de precificação de combustíveis da Petrobras sobre o resultado financeiro da companhia ficará claro no próximo trimestre, prevê Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Em maio, a estatal abandonou a subordinação obrigatória ao chamado preço de paridade de importação (PPI), que considera as variações do preço internacional do barril de petróleo, do câmbio (real/ dólar) e do frete.

“A disparidade entre o preço da Petrobras e o mercado internacional tem se distorcido bastante”, assinalou Lima em entrevista à CombusPro.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem do preço dos combustíveis vendidos pela estatal às distribuidoras ante o PPI está acima de 20% tanto para a gasolina como para o diesel

“Boa parte dos insumos que a empresa importa é precificada de acordo com o petróleo no mercado internacional, o que causa um impacto considerável em seu caixa”, explicou Lima.

No segundo trimestre do ano, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 28,78 bilhões, redução de 47% frente aos R$ 54,33 bilhões contabilizados no mesmo período de 2022.

Embora muitos analistas do mercado tenham associado a queda do lucro da Petrobras entre abril e junho à defasagem em relação ao PPI, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, refutou tal conexão.

Ele atribuiu a queda à redução do preço internacional do petróleo – o que afetou as exportações de óleo cru da companhia – e ao aumento dos investimentos realizados pela empresa.

"Uma coisa é certa: não estamos perdendo dinheiro com essa política [de preços]. Sabemos como compensar, e a faixa em que estamos operando é segura para cada um dos produtos", disse o executivo em uma coletiva de imprensa na última sexta-feira.

Sidney Lima estima que, nos próximos trimestres, os resultados da Petrobras serão menos robustos, refletindo não apenas eventual absorção de altas do petróleo no mercado internacional como novos investimentos que a empresa tem projetado e executado.

Um exemplo é a construção do segundo trem de refino da refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, cuja licitação foi lançada pela Petrobras recentemente.

“A unidade representou uma baixa contábil de R$ 1,9 bilhão neste trimestre [2T23], o que acaba correspondendo a uma grande parcela dos lucros da empresa”, observou Lima.

Com início de operação previsto para 2027, o trem 2 da RNEST adicionará cerca de 13 milhões de litros de diesel S10 (com dez partes de enxofre por milhão) por dia à capacidade de produção nacional.

Quando concluída a obra, a refinaria terá capacidade para processar 260 mil barris de petróleo por dia.

No segundo trimestre, os principais produtos comercializados pela Petrobras continuaram sendo o diesel e a gasolina, os quais responderam por aproximadamente 74% da receita gerada com a venda de derivados, da ordem de 73 bilhões de reais – queda de 27,7% na comparação com o mesmo período de 2022.

A Petrobras tem reiterado que sua estratégia comercial de diesel e gasolina lhe permite competir de forma mais eficiente, levando em consideração a sua participação no mercado, para otimização dos seus ativos de refino, e a rentabilidade de maneira sustentável.

“Os reajustes continuam sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”, afirmou a companhia em um comunicado à imprensa.

Recorde de produção

A Petrobras registrou, em julho, novo recorde mensal de produção de diesel S-10 no seu parque de refino, informou a companhia esta semana.

O resultado de 2,38 bilhões de litros supera o verificado em junho passado, quando atingiu a marca de 2,11 bilhões de litros.

O fator de utilização das Refinarias (FUT) segue elevado, tendo fechado o mês em 93%, ressaltou a empresa.

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