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Biodiesel pode ganhar novo impulso com Lula

Gestão petista deve voltar a ampliar a mistura obrigatória do biocombustível no diesel mineral.


Por CombusPro


O Ministério de Minas e Energia (MME) decidiu, recentemente, manter o percentual da mistura obrigatória de 10% do biodiesel no diesel mineral (B10) até 31 de março de 2023.


O cronograma da política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio, previa que, em 2021, a mistura chegaria a 13% (B13), subindo para 14% (B14) este ano e 15% (B15) em 2023.


Porém, no fim de agosto passado, o governo federal decidiu reduzir a mistura para 10% até dezembro de 2022 devido à alta no preço da soja, principal matéria prima para produção do biocombustível no Brasil.


O novo período de transição para o B15 foi adotado para “conferir maior previsibilidade e garantia do abastecimento”, informou o MME em comunicado.


A decisão do governo foi criticada por entidades representativas do setor de biodiesel.


O diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel no Brasil (Aprobio), Julio Cesar Minelli, disse que a medida impacta produtores que fizeram investimentos maciços para ampliar a produção de biodiesel.


“Hoje nós temos um setor que tem uma capacidade instalada com condições de estar vendendo uma mistura de 20%”, assinalou em entrevista ao Canal Rural.


Segundo o executivo, há 57 usinas com capacidade para entregar 14 milhões de litros por ano, ante um consumo que, com B10, é de aproximadamente 6,2 milhões de litros anuais.


O presidente da Frente Parlamentar do biodiesel (FPBio), deputado Pedro Lupion (DEM-PR), lamentou a medida do MME e disse que o próximo governo deve revogá-la.


“O biodiesel é prioridade no novo governo”, afirmou durante um seminário realizado na Câmara dos Deputados.


No último dia 25, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), da equipe de transição do presidente eleito Lula, afirmou a jornalistas que a mistura de 10% será avaliada nos primeiros 90 dias do novo governo e que uma elevação do “mix” poderia acontecer mesmo antes do final de março.


De fato, os biocombustíveis tendem a ganhar papel mais relevante na gestão do petista, que foi quem lançou o Programa Nacional do Biodiesel em 2004 e que, agora, tentará posicionar o Brasil como ator global no combate às mudanças climáticas.


Durante a 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-27), realizada em novembro, no Egito, o presidente eleito pontuou que o país deve aproveitar as oportunidades da transição energética para uma economia de baixo carbono, investindo em energia solar, eólica e biocombustíveis.


PANORAMA


O Brasil é o 2 º maior produtor de biodiesel no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.


De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção do biocombustível no país em 2021 totalizou 7 milhões de litros. Até junho deste ano, o volume registrado é de 3 milhões de litros.


A região sul respondeu por cerca de 45% da produção total do biocombustível nos primeiros seis meses de 2022, seguida pelo Centro-Oeste/ Norte (38%), Nordeste (10%) e Sudeste (7,6%).


Além do óleo de soja, são utilizados para a confecção do biodiesel brasileiro gorduras de origem animal, como bovina, suína e de frango, óleo de milho e de fritura usado, óleo de palma/ dendê e outros materiais graxos.






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