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Em foco: as mudanças na diretoria executiva da Petrobras

Nova estrutura organizacional proposta envolve áreas diretamente ligadas ao mercado de combustíveis.

Por CombusPro

A diretoria executiva da Petrobras aprovou, na última semana, proposta de nova estrutura organizacional a ser submetida ao Conselho de Administração (CA) da companhia.

A proposta inclui mudanças em duas diretorias que estão diretamente ligadas ao mercado de combustíveis, além da criação de uma nova área com potenciais sinergias com o segmento.

A diretoria de Refino, Gás e Energia, liderada por William França da Silva, passará a ser denominada diretoria de Processos Industriais e Produtos, incluindo os derivados do refino de petróleo e os derivados de gás e biocomponentes.

Já a atual diretoria de Comercialização e Logística, ocupada por Claudio Romeo Schlosser, será identificada como diretoria de Logística, Comercialização e Mercados.

O ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, foi indicado para assumir a nova diretoria de Transição Energética e Energias Renováveis, que coordenará as atividades de descarbonização, mudanças climáticas, novas tecnologias e sustentabilidade e irá incorporar as atividades comerciais de gás natural.

As alterações ocorrem no momento em que a Petrobras discute novas diretrizes para seu planejamento estratégico, em linha com os anseios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os objetivos do acionista controlador da estatal está a expansão da capacidade de refino brasileiro, a fim de reduzir a dependência de importações de combustíveis e garantir a segurança energética do país.

Com esse intuito, a tendência é que o governo oriente investimentos da Petrobras para retomada de antigas obras de refinarias e a modernização e/ou ampliação de instalações existentes.

Em paralelo, devem-se intensificar os aportes da companhia no desenvolvimento de combustíveis mais limpos, como o diesel verde, bioquerosene de aviação, biodiesel e etanol, e se incluírem fontes renováveis de energia, como eólica offshore e hidrogênio verde, em seu portfólio.

Nos próximos meses, a petroleira brasileira ainda poderá anunciar uma nova política de precificação de combustíveis.

Recentemente, o ministro de minas e energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo vai propor uma nova política de preços para a companhia com o objetivo de ajudar "a combater perdas e solavancos inflacionários".

Segundo o ministro, a ideia é que um novo modelo comece a ser discutido assim que tomarem posse todos os integrantes dos conselhos que dirigem a Petrobras, o que está previsto para o fim deste mês.

Em uma resposta indireta às declarações de Silveira, a Petrobras reafirmou o compromisso com a “prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado nacional”, evitando o repasse imediato de volatilidades externas, provocadas por agentes conjunturais, bem como de oscilações da taxa de câmbio.

Após as repercussões da fala de Silveira, o presidente Lula disse que o governo ainda vai debater uma alteração no cálculo, que, hoje, é baseado no chamado preço de paridade de importação (PPI).

"A política de preços da Petrobras será discutida pelo governo no momento em que o presidente da República convocar o governo para discutir a política de preços. Enquanto o presidente da República não convocar o governo para discutir política de preços, a gente não vai mudar o que está funcionando hoje", declarou a jornalistas.

O líder petista admitiu, contudo, que o governo pretende mudar a atual política da companhia, a fim de abrasileirar os preços dos combustíveis, como diesel e gasolina.

“O Brasil não tem por que estar submetido ao PPI [preços de paridade de importação]. Mas esse é um problema que nós vamos discutir no momento certo", assinalou.

Como a Petrobras domina o refino nacional, qualquer mudança na política de preços de combustíveis da companhia impactará significativamente o mercado doméstico de combustíveis.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e organizações sindicais como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) defendem que, por ser produtora de petróleo e ter capacidade de refinar boa parte da commodity extraída no país, a Petrobras deve adotar um modelo de precificação que também leve em conta custos de produção e frete nacionais.

Analistas argumentam, porém, que tal medida poderia afetar as receitas da estatal e prejudicar a concorrência privada, gerando potenciais riscos ao abastecimento do país.


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