top of page

Governo voltará a elevar impostos sobre a gasolina e o etanol; entenda os impactos

Aumento do PIS/ COFINS será de R$ 0,22 por litro em ambos os casos a partir de 1º de julho

Por CombusPro

O governo brasileiro voltará a elevar os impostos federais (PIS/ COFINS) sobre a gasolina e o etanol a partir de 1º de julho.

O aumento, que será de R$ 0,22 por litro em ambos os casos, ocorrerá quatro meses após a reoneração parcial dos tributos sobre os dois combustíveis.

Considerando-se o preço médio atual da gasolina e do etanol, a reoneração aumentaria o custo final nas bombas do país em aproximadamente 4,09%, em média, estima Marcus D’Élia, sócio da Leggio Consultoria.

“Mas, em alguns estados, como Minas Gerais e São Paulo, os aumentos podem chegar a 4,22% e 4,19%, respectivamente”, disse à CombusPro.

D’Élia assinalou que o aumento poderia, eventualmente, ser acomodado pela unidade de Refino, Transporte e Comercialização da Petrobras, considerando-se que sua margem, em 2022, foi de R$ 0,39 por litro – sem afetar, portanto, a margem da área de exploração e produção da estatal.

“Mas ainda seria uma redução significativa na margem do produto, de mais de 56%, caso se mantenha o mesmo patamar de margem do ano passado”, ponderou D’Élia.

Com posição dominante no refino nacional, a Petrobras encerrou, em maio, a subordinação obrigatória de sua política de precificação de combustíveis ao chamado preço de paridade de importação (PPI). Na prática, a mudança lhe dá maior flexibilidade para não repassar volatilidades externas aos consumidores brasileiros.

D’Élia ressaltou que a redução de de R$ 0,13/litro do preço da gasolina anunciada pela Petrobras no último dia 15 foi, até o momento, pouco percebida nas bombas do país, com queda média de apenas R$ 0,03/litro.

Em alguns estados, como o Amazonas, o preço médio chegou a aumentar R$ 0,08/litro.

Como se trata de um aumento recente, o consultor acredita que a diferença pode ser explicada não apenas por uma questão de estoques na cadeia, mas pelo aumento das margens dos agentes que atuam entre a Petrobras e o consumidor final, isto é, as distribuidoras e os revendedores.

“A conclusão é que o saldo real do aumento de 22 centavos pode não ser deduzido de 13 centavos, mas dos 3 centavos percebidos pelo consumidor”, pontuou o especialista.

De acordo com o professor de Finanças e Controle Gerencial do COPPEAD/UFRJ, Rodrigo Leite, a reoneração dos tributos federais é uma tentativa do governo de diminuir o déficit orçamentário, já de olho nos limites que serão impostos pelo novo arcabouço fiscal, que ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.

Além de impactar o bolso dos consumidores, a reoneração da gasolina e do etanol poderá afetar negativamente a inflação prevista para o mês de julho em 0,2 pontos percentuais (p.p.), prevê Leite.

A partir de setembro, o governo pretende reverter parcialmente a desoneração dos impostos federais sobre o diesel, que, originalmente, vigoraria até o fim do ano. A medida também poderá gerar uma nova pressão inflacionária.

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page