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O mercado brasileiro de distribuição pode passar por uma desconcentração?

A CombusPro ouviu um pesquisador e um representante de uma entidade de classe sobre o assunto.


Por CombusPro


O setor de distribuição de combustíveis no Brasil é dominado por três grupos empresariais: Vibra Energia, Raízen e Ipiranga.


Juntas, elas respondem por mais de 60% das vendas de diesel B e gasolina C (mistura de etanol anidro com gasolina A) e por 50% da comercialização de etanol hidratado, que são os principais combustíveis utilizados no transporte rodoviário.


A CombusPro ouviu um pesquisador e um representante de uma entidade de classe sobre as razões pelas quais existe essa concentração de mercado e se há expectativa de mudança desse cenário.


Além das três grandes distribuidoras, há uma série de pequenas e médias empresas (PMEs) que cumprem um papel complementar importante no fornecimento desses combustíveis.


No caso do diesel, por exemplo, há a Petróleo Sabbá, com market share de 2,7%, além da Atem Distribuidora (2,3%), Alesat Combustíveis (2%), Ciapetro Distribuidora de Combustíveis (1,3%) e Larco Comercial de Produtos de Petróleo (1,25%), considerando-se fornecedores com mais de 1% de participação de mercado em 2022.


No mercado de gasolina C, a Alesat aparece com 2,6%, e a Petróleo Sabbá, com 1,8%.


Na sequência estão Aster Petróleo (1,57%), Fera Lubrificantes (1,47%), Larco Comercial de Produtos de Petróleo (1,36%) e Raízen Mime Combustíveis (1,26%), SP Indústria e Distribuidora de Petróleo (1,24%), Petrobahia (1,19%). Rodoil (1,13%), Ciapetro (1,09%) Royal Fic (1,04%), e Potencial Petróleo e Sim Distribuidora, com 1% cada uma.


A distribuição de etanol hidratado é um pouco mais diversificada, com empresas como a Petroquality, Gol Combustíveis e Distribuidora Saara detendo participações de 5,05%, 3,05% e 3%, respectivamente.


As empresas Alpes, Duvale, Petroworld e Petrotorque têm mais de 2% de market share, enquanto a All, Noroeste, Alesat, Paranapanema e Petroball aparecem com mais de 1%.


O mais concentrado dos mercados, porém, é o de combustíveis de aviação.


A Vibra Energia responde por quase 70% do volume de querosene de aviação (QAV) comercializado, com o restante sendo atendido pela Air BP (15,5%), Raízen (14,8%) e Air BP Petrobahia (0,45%).


Em relação à gasolina de aviação (GAV), a Raízen é a maior fornecedora, com 39%, seguida pela Vibra (32%), Gran Petro (10,7%), Rede Sol (9%), Air BP (8,1%) e Air BP Petrobahia (0,7%).


O pesquisador do Departamento de Engenharia Industrial do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/PUC-Rio), Antônio Márcio Tavares Thomé, acha pouco provável que haja uma diminuição da concentração da distribuição de combustíveis e biocombustíveis líquidos no país.


“Ao contrário, assistimos a uma maior concentração de mercado,” disse em entrevista à CombusPro.


Ele ressaltou que a participação das três grandes na distribuição passou de 62% em fevereiro de 2020 a 67% em abril de 2022. Em paralelo, o market share das pequenas e médias distribuidoras regionais reunidas na Brasilcom (Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis) passou de 22% para 19%, e de 16% para 14%, no caso das demais PMEs.


Segundo Thomé, para reduzir a concentração nos mercados de diesel e gasolina, seriam necessárias políticas públicas que incentivem e desonerem as distribuidoras regionais e viabilizem seu acesso à infraestrutura eficiente.


“Há concorrência no setor, porém os investimentos necessários na infraestrutura logística são efetuados sobretudo pelas refinarias e grandes distribuidoras,” disse.


Ele sugere a diluição da obrigatoriedade de aquisição dos CBIOS – títulos de descarbonização que, hoje, pesam exclusivamente sobre as distribuidoras – entre produtores, na exploração, produção, refino e importação de petróleo e seus derivados.


“Esses tributos agravam ainda mais a tendência de concentração no setor, onerando em última instância o setor produtivo, a pequena e média distribuição e os consumidores,” afirmou o pesquisador da PUC-Rio.


Sobre o mercado de querosene de aviação (QAV), Thomé pontuou que as barreiras de entrada de novos players são ainda mais difíceis devido aos grandes investimentos necessários.


“Para se ter uma ideia, basta lembrar que os aeroportos de Guarulhos e o Galeão são abastecidos pela rede dutoviária da Transpetro. O transporte do QAV por cabotagem ou por caminhões tanque não é considerado economicamente viável,” explicou.


Em novembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) multou Air BP, Vibra Energia e Raízen por erguerem barreiras artificiais de entrada no mercado de QAV no aeroporto internacional de São Paulo (Guarulhos).


O caso foi originado por uma denúncia apresentada em 2014 pela distribuidora de combustíveis Gran Petro, que alegava que as empresas em questão estavam dificultando seu acesso ao mercado.


O aeroporto respondeu por quase metade do consumo de combustível de aviação do país entre janeiro e junho, com 1,2 milhão de m3.


Já o diretor institucional da Brasilcom, Sergio Massillon, acredita em uma redução da concentração do mercado no longo prazo, na medida em que as empresas regionais que atendem principalmente aos postos sem bandeira (bandeira branca) desenvolvem suas próprias redes bandeiradas.


Ele assinalou que o mercado de distribuição evoluiu desde uma situação em que somente seis empresas (Esso, Shell, Atlantic, Texaco, Ipiranga e BR) o dividiam para a atual situação em que competem mais de 140 distribuidoras.


“Obviamente, as empresas que dividiam o mercado antes da liberação de entrada de novas empresas mantiveram uma presença significativa, ainda mais com as aquisições e fusões que ocorreram e por suas extensas redes de postos de suas bandeiras,” observou.


Massillon acrescentou que, no mercado de postos de serviço já existe uma significativa diversidade de fornecedores, cabendo a cada empresário decidir se prefere operar sob uma das marcas existentes e com exclusividade em suas compras ou optar por ser um posto sem bandeira, escolhendo, a cada compra, o fornecedor que lhe convém.

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