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Os planos da Petrobras para o downstream

Estatal planeja investir US$ 10,92 bilhões nas áreas de refino, gás e energia e comercialização e logística entre 2023 e 2027


Por CombusPro


A Petrobras pretende investir US$ 10,92 bilhões nas áreas de refino, gás e energia e comercialização e logística entre 2023 e 2027, de acordo com o novo plano de negócios da companhia, publicado na última semana.


O montante – do qual US$ 7,8 bilhões serão destinados ao refino – é quase 23% superior ao do plano anterior, (2022-26), que previa um investimento total de US$ 8,9 bilhões nas três áreas.


Nos próximos cinco anos, estão previstos aportes visando ao aumento de produção de diesel S-10 (+318 mil barris por dia) nas refinarias de Paulínia (Replan), em São Paulo, Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e no Polo Gaslub (antigo Comperj), no Rio de Janeiro – o qual também ganhará uma fábrica de lubrificantes.


Já na refinaria Presidente Bernardes (RPBC) a Petrobras planeja instalar uma planta dedicada para a produção de bioquerosene de aviação e diesel renovável, também chamado de diesel verde (HVO).


A estatal espera ampliar, até 2027, sua capacidade total de produção do diesel R5 (diesel mineral com mix de 5% de diesel renovável) em 154 mil bpd em quatro das cinco refinarias que, hoje, pretende manter em seu portfólio: Replan, RPBC, Presidente Getúlio Vargas (Repar) e Duque de Caxias (Reduc).


Na área de gás e energia, que terá capex de US$1,56 bilhão, uma das principais metas é a conclusão do Projeto Integrado Rota 3, que consiste na conexão do gasoduto marítimo Rota 3 à nova unidade de processamento de gás natural (UPGN) do Gaslub. O empreendimento permitirá o escoamento de mais 21 milhões de m3/d de gás do pré-sal para a terra.


Esse volume adicional de gás poderá, futuramente, abastecer uma termelétrica que a Petrobras estuda construir no Gaslub em parceria com outros investidores.


Também com investimento de US$1,56 bilhão, a área de comercialização e logística terá como prioridades a redução de gargalos operacionais, com o aumento da capacidade de vazão e tancagem pelo oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra), a ampliação do oleoduto Osrio, que liga o Terminal de Guararema (SP) à Reduc, e a substituição dos dutos Opasa (Paulínia-Barueri/ SP) e Obati (Barueri-São Caetano do Sul/ SP).


Estão ainda previstos aportes para acesso ferroviário em Rondonópolis (MT), exportação de propeno e separação de gás liquefeito de petróleo (C3 e C4), além de atividades de manutenção de navios, dutos e terminais e paradas programadas de tanques e esferas.


POSSÍVEIS MUDANÇAS


Com a chegada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da república, em janeiro de 2023, alterações são esperadas na orientação estratégica da Petrobras.


A expectativa é que sejam destinados mais recursos para a ampliação da capacidade de refino existente, inclusive com a possibilidade de antigos projetos de novas refinarias, como as Premium I e II, no Maranhão e Ceará, respectivamente.


Em paralelo, deve haver um reposicionamento da estatal na área de gás e energia, a fim de viabilizar maior aproveitamento do gás em terra, com novos investimentos em capacidade de escoamento e processamento do combustível.


Também se espera uma postura mais agressiva no que diz respeito à transição energética, com a inclusão de projetos de energia renovável, hidrogênio verde e biocombustíveis em seu portfólio.


Quanto aos processos de venda de refinarias, a nova gestão federal deve interromper os desinvestimentos em curso, que envolvem a Rnest, Refap, Regap e Repar.


REFINO ESTAGNADO


O ex-diretor da Refinaria de Manguinhos e atual CEO da LHS Consultoria e Treinamento, Luis Henrique Sanches, lembra que o Brasil deixou de investir no aumento de sua capacidade de refino nas últimas décadas, com poucas exceções, como a construção, pela metade, da Rnest, e de ajustes pontuais para atender algumas novas especificações de combustíveis, como o diesel S-10.


Ele assinala que, como a Petrobras consegue melhores resultados finais no upstream, na comparação com o downstream, a companhia tem priorizado investimentos na produção de petróleo,


“Com isso, nos tornamos importadores de combustíveis, pagando paridade de importação, que é o custo internacional mais o frete, e nos tornamos exportadores de petróleo,” disse Sanches à CombusPro.


Ele acredita que a venda das refinarias da Petrobras fora do eixo Rio-São Paulo não ampliaria significativamente a concorrência, mas criaria monopólios regionais, além de manter o monopólio estatal na região Sudeste.


“Como tanto o governo do FHC, como os de Lula, Dilma e Bolsonaro interferiram nos preços dos combustíveis, isso afugentou os possíveis interessados na compra das refinarias,” afirmou.


“As exceções foram a refinaria de Mataripe [antiga RLAM] e de Manaus [Reman], casos em que os compradores adquiriram também toda a logística de derivados, conseguindo um monopólio, pois, sem dutos, não existe concorrência de derivados de petróleo,” pontuou.


As plantas foram compradas, respectivamente, pelo fundo árabe Mubadala e pela brasileira Atem Distribuidora.


Sobre o diesel renovável, Sanches considera positivo o plano da Petrobras de aumentar sua produção.


“Misturar mais de 10% de biodiesel no diesel mineral, sem HVO, me parece muito perigoso, pois, como o biodiesel é um éster e não um hidrocarboneto, ele tem menos estabilidade química,” explicou.


Hoje, a mistura obrigatória do biodiesel no diesel mineral é de 10%, mas ela deve ser ampliada para 15% em 2023.


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