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Por que o preço do diesel pode voltar a aumentar no país em 2023

A Combuspro conversou com a coordenadora do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), Raquel Serini.

Por Combuspro

A retomada do aumento da mistura do biodiesel no diesel mineral no Brasil em meio a um contexto de turbulência geopolítica poderá gerar novos aumentos do preço do combustível no Brasil este ano.

Em março, o governo federal aprovou aumento para 12% (B12) da mistura de biodiesel ao diesel a partir de abril de abril, com elevação gradual até 15% (B15) em 2026.

“Isso pode trazer um aumento de ao menos dois centavos por litro a cada ano”, disse à Combuspro a coordenadora do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), Raquel Serini.

Ela ressaltou que a elevação do mix do biocombustível demandará um aprimoramento das tecnologias dos motores para se adequarem às novas composições, o que também poderia impactar os preços.

Segundo Serini, os ajustes dos preços do diesel nas refinarias anunciadas pela Petrobras este ano acumulam queda de 14,57%, ante um aumento de 34,36% em 2022.

O diesel inflacionado afeta diretamente as transportadoras, que têm entre 35% e 50% de seus custos relacionados ao uso do derivado de petróleo, e, consequentemente, a população em geral.

Tal situação se torna ainda mais dramática por conta da dependência brasileira das importações de combustíveis, uma vez que a capacidade de refino nacional é de 2,4 milhões de barris por dia (b/d), ante os 3 milhões de b/d de petróleo produzidos no país.

Como a Petrobras, que domina o refino nacional, pratica preços alinhados ao mercado internacional, o Brasil fica sujeito aos impactos das flutuações do dólar e do preço do barril de petróleo, que se acentuam em momentos de instabilidade política e econômica mundial.

“Essas quedas apresentadas recentemente não devem se sustentar por muito tempo. Também não podemos esquecer que a guerra na Ucrânia impacta a transmissão de energia na Europa, interferindo de modo direto no mercado de combustíveis global,” disse Serini.

Como se não bastasse, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) – cartel que controla boa parte da produção mundial da commodity – recentemente anunciou um corte voluntário da ordem de 1 milhão de b/d a fim de manter o barril acima dos US$ 80.

A privatização das refinarias da estatal no Amazonas (Reman, atual Refinaria de Manaus) e na Bahia (RLAM, agora Mataripe) é outro fator que contribui para a elevação dos preços no Brasil, dado que elas não foram originalmente projetadas para competir entre si.

“Não há concorrência real se as plantas vão atender às mesmas regiões e demandas. É preciso investimento em infraestrutura para isso acontecer”, argumentou a coordenadora do IPTC.

No médio prazo, a preocupação é com o fim da isenção dos impostos federais PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) sobre o diesel e o biodiesel a partir de 1º de janeiro de 2024.

Demanda

Serini calcula que as vendas do diesel S-10, que contém um máximo de 10 mg/kg de enxofre – portanto, mais limpo que o S-500 – devem saltar de 38,9 bilhões de litros no ano passado para cerca de 45 bilhões de litros em 2023.

“Há uma tendência contínua de migração do S-500 para o S-10,” observou.

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