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Proposta em estudo pelo governo pode ampliar a mistura de etanol na gasolina

Medida poderia reduzir o preço do combustível aos motoristas, segundo especialista ouvido pela CombusPro.

Por CombusPro

Um projeto de lei (PL) que está sendo preparado pelo governo federal poderá elevar o teor do etanol anidro na gasolina comum (C) de 27,5% para 30%.

Apelidada de Combustível do Futuro, a proposta está sendo discutida pelos ministérios de Minas e Energia (MME), da Fazenda, de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços e pela Casa Civil.

Amance Boutin, especialista em combustíveis da Argus, ressalta que a medida contribuiria para uma redução das importações de gasolina A, que têm aumentado significativamente no país (quase 100% no acumulado do ano até maio ante o mesmo período de 2022, segundo dados mais recentes do governo federal).

“Com isso, formuladores e refinarias locais, como a Acelen, Petrobras, Copape, Refit, Rio Grandense e Ream poderiam perder parcela do mercado”, disse Boutin à CombusPro.

A gasolina C, que chega às bombas dos postos de serviço, resulta da combinação do etanol anidro com a gasolina A.

Como o etanol é menos taxado que a gasolina, a elevação da mistura do biocombustível tenderia a reduzir o preço do combustível – pelos cálculos de Boutin, em R$ 0,02 por litro.

“Se usarmos como base o consumo de gasolina C no ano passado, de 43 milhões de m³, o governo federal teria uma queda de arrecadação da ordem de 860,8 milhões de reais”, pontuou o especialista da Argus.

Tal efeito poderia gerar, contudo, resistência por parte da Receita Federal, em um momento em que o governo busca garantir fontes de recursos para manter suas contas em dia.

Luiz Henrique Sanches, ex-diretor da Refinaria de Manguinhos e, atualmente, consultor da LHS Consultoria, observa que o aumento do teor de etanol a 30% elevaria o consumo de gasolina C do carro entre 1% e 2 %, já que o poder energético do etanol é 70 % inferior ao da gasolina A.

“Ficará mais fácil, para as refinarias produzirem gasolina A, uma vez que sua octanagem poderá sair um pouco menor e, com isso, evitar investimentos em plantas mais sofisticadas nas plantas”, avaliou Sanchez em um artigo publicado recentemente.

Iniciativa global

Durante o lançamento da Aliança Global para os Biocombustíveis (Global Biofuels Alliance – GBA) no último sábado (22/7), na Índia, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o Combustível do Futuro “pretende fazer o Brasil avançar ainda mais com uma política pública voltada para promover a mobilidade sustentável de baixo carbono".

Hoje, 80% da frota brasileira de veículos leves é composta por veículos flex, de acordo com o MME.

Segundo a pasta, ao longo de quase 40 anos, o uso do etanol no Brasil proporcionou uma economia de mais de 2,5 bilhões de barris equivalentes de petróleo, que correspondem a mais de dois anos da atual produção brasileira da commodity.

O governo estima que, com esse deslocamento do uso de derivados fósseis, deixaram de ser emitidas mais de 1,5 bilhão de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.

Comercialização de etanol

As vendas de etanol na primeira quinzena de julho totalizaram 1,15 bilhão de litros, o que representa uma variação negativa de 7,38% em relação ao mesmo período da safra 22/23, de acordo com dados publicados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar na terça-feira (25/7).

O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 549 milhões de litros – um avanço de 16,57% – enquanto o etanol hidratado registrou venda de 595,46 milhões de litros – queda de 22,16%.

Para a Unica, a redução do consumo de hidratado – o etanol que os donos de carros flex podem optar por comprar na hora de abastecer –, decorre de uma conjunção entre a queda no consumo de Ciclo Otto no mês de julho – sazonalmente mais baixo devido às férias escolares – e a maior aquisição das distribuidoras na segunda metade de junho, que garantiu certo conforto aos estoques das empresas.

A entidade assinalou que os ganhos de competitividade recentes do biocombustível não parecem estar surtindo efeito no consumo.

Dados da última semana (16 a 22/07) registrados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que 51% do mercado está com uma paridade atrativa para o etanol hidratado.

No estado de São Paulo, 92% dos municípios amostrados estavam com paridade convidativa para o consumidor, cuja diferença média dos preços foi de R$ 1,80 entre a gasolina e o etanol.

Também se observou, no mesmo período, competitividade para o biocombustível em 50%, 82% e 100% dos municípios de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, respectivamente, onde o hidratado ficou R$ 1,65, R$1,80 e R$ 2,10 mais barato que a gasolina.

“A evidência que se manifesta por meio dos dados indica que, nas condições atuais, a não preferência pelo etanol fará o consumidor incorrer em uma perda financeira ao optar pelo concorrente fóssil”, afirmou a Unica em comunicado.

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