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Qual o impacto da nova política de preços da Petrobras onde se privatizaram refinarias?

A CombusPro ouviu especialistas sobre os casos dos estados da Bahia e do Amazonas.

Por CombusPro

A mudança na política de precificação de combustíveis da Petrobras não deve influenciar diretamente os preços nas refinarias vendidas pela estatal – Mataripe (ex-RLAM), na Bahia, e Ream (ex-Reman), no Amazonas –, avaliam especialistas ouvidos pela CombusPro.

Marcus D´Elia, sócio da Leggio Consultoria, assinala que as refinarias no Brasil foram planejadas para serem complementares, ou seja, terem áreas de influência distintas e não competirem entre si.

“A competição entre Petrobras e Acelen, por exemplo, estará limitada aos municípios que ficam na fronteira entre as regiões de influência das refinarias. E esses municípios usualmente demandam pequenos volumes”, explicou o consultor à CombusPro.

Ele acrescentou que, no caso da Refinaria da Amazônia (Ream) – atualmente operada pela Atem Distribuidora –, a competição é mais difícil, já que o produto da Petrobras deverá ser transportado até a região norte, aumentando seu custo.

“O competidor natural na região são os importadores, com produto originário dos EUA”, completou D’Élia.

Luiz Henrique Sanchez, ex-diretor da Refinaria de Manguinhos e atual diretor da LHS Consultoria, lembra que investidores ficaram receosos em comprar refinarias que poderiam sofrer concorrência da Petrobras, optando pelas plantas na Bahia e no Amazonas.

Ele destaca ainda que os compradores exigiram adquirir também toda a infraestrutura de logística, o que permite à Acelen exportar para Pernambuco, por exemplo, ao passo que nenhum derivado de fora entra pelos seus dutos sem seu consentimento.

“Não entendo como o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] pensou que isso seria bom para aumentar a concorrência”, criticou Sanchez.

Raquel Serini, coordenadora do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), observa que as refinarias privatizadas podem implementar uma estratégia regional, eventualmente optando por importar em vez de vender sua produção interna.

“Isso nos remete à paridade internacional novamente, tornando os preços mais caros, mas incentivando a competitividade, em contrapartida”, disse à CombusPro.

Ela acredita que, mesmo com a pressão política, as gestões privadas na Bahia e no Amazonas devem seguir o curso natural da organização e manter sua própria política de preços.

“Desde janeiro deste ano, a Ream é recordista da gasolina mais cara do Brasil, com uma diferença de 6,5% em relação à média nacional”, assinalou.

Após o anúncio da mudança na estratégia comercial da Petrobras, na última semana, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) alertou que o estado da Bahia seguirá sujeito à política de preço de paridade de importação (PPI) por ter tido sua refinaria privatizada.

“Com isso, constituiu-se o monopólio privado regional, no qual a Acelen pratica os preços de combustíveis os mais caros das capitais do país e só perde para a refinaria do Amazonas, a Reman, também privatizada”, assinalou a entidade em comunicado à imprensa.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço médio do diesel vendido pela Acelen na terça-feira (23/5) foi de R$ 3,1028, o mais alto no país, apesar da defasagem de 2% ante o PPI.

No caso da gasolina, o preço médio de venda pela empresa do grupo árabe Mubadala foi de R$ 2,6667, o segundo mais baixo no país (defasagem de 10% ante o PPI), atrás apenas da gasolina comercializada pela Petrobras no Maranhão.

Já em Itacoatiara, no Amazonas, o preço médio do diesel no mesmo dia foi de R$ 2,9903 – quarto mais baixo no país, com defasagem de 5% ante o PPI –, enquanto a gasolina foi comercializada por R$ 2,7063, o terceiro preço mais alto, com defasagem de 8% sobre o PPI.

Procurada pela CombusPro, a Acelen esclareceu, via assessoria de imprensa, que sempre seguiu uma política de preços totalmente independente da Petrobras, com uma fórmula transparente, homologada pela ANP, que é a agência reguladora do setor.

A companhia explicou que sua política de preços é baseada em critérios técnicos, com objetivo de garantir previsibilidade e preços justos, em prol de um mercado mais competitivo no país.

E destacou que manteve os combustíveis mais baratos em 80% dos dias do ano, “inclusive, reduzindo mais vezes que a Petrobras”.

“No diesel, foram 10 reduções consecutivas, acumulando queda de 31% desde o início do ano. Já a gasolina soma queda de 16% no mesmo período,” detalhou a Acelen.

Por sua assessoria de imprensa, a Ream declarou que tem seguido o preço de paridade internacional, que, hoje, “melhor reflete os custos de produção da refinaria, ajustados e divulgados aos distribuidores semanalmente, conforme variações dos preços do petróleo e seus derivados no mercado internacional, além de alterações do câmbio e dos custos de frete do petróleo e insumos para a região”.

A companhia enfatizou que esteve por quase um mês, este ano, com preços abaixo aos da Petrobras e que já anunciou 13 reduções no preço da gasolina, sendo cinco delas consecutivas, de abril a maio.

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